Será que a forma discursiva de manifestação do caráter que Aristóteles pregou há mais de dois mil anos mantém-se vigente na realidade virtual vivenciada hoje, tanto pelos nativos quanto pelos imigrantes digitais? O que se coloca em rede não precisa ser a "verdade", porém precisa ser verossímil e, nesse sentido, persuasivo. A linguagem traduz o ser humano e revela, objetivamente ou de modo menos explícito, o caráter possível de ser averiguado pelo desvendar dos artifícios retóricos utilizados no revelar-se. Assim, analisamos a manifestação retórica de traços de constituição do caráter de idosos no Facebook, em consonância com os estudos de Aristóteles sobre as paixões e sobre o caráter manifestado por jovens, adultos e velhos de seu tempo. Colhemos também vinte perfis de jovens e vinte perfis de adultos para que pudéssemos realizar uma análise comparativa. Com o auxílio dos modernos estudos da Retórica, entendemos que, na interação verbal por meio do Facebook, ethos, pathos e logos se entremeiam para um único propósito discursivo: conquistar a adesão do outro, seja pelo julgamento, pela deliberação ou por simples deleite. A análise revelou manifestações expressivas sobre a postagem de paixões eufóricas e traços de caráter ainda remanescentes na sociedade contemporânea, quer na escolha dos temas apresentados aos leitores do Facebook, quer na manifestação, explícita ou velada, de um discurso retórico muito expressivo e revelador de um modo de ser velho na sociedade contemporânea.