Arthur Boaventura é um autor desiludido de meia-idade que, no dia em que receberá um prêmio literário, decide nunca mais escrever. Por obrigação social, ele comparece à cerimônia que despreza, atravessando encontros constrangedores e o colapso silencioso de suas próprias certezas.
Na volta para casa, preso em um elevador, Arthur desembarca num cenário impossível: um deserto habitado por uma única árvore disforme, onde sol e lua coexistem sob um céu violeta. Neste não-lugar, que pode ser sonho, morte, coma, experiência mística, ele descobre que perdeu os afetos e as memórias.
Guiado exclusivamente pela lógica bruta, Boaventura inicia sua jornada por territórios repentinos e absurdos: uma cidade que mercantiliza a tragédia, tavernas onde personas de diferentes épocas convivem, uma biblioteca infinita na qual encontra o seu duplo, espaços que desafiam as reminiscências de uma realidade conhecida.
Nesta odisseia filosófica, encontrar saída e encontrar a si mesmo se confundem.