Ao longo do século XX, a Unesco associou o analfabetismo à "ignorância" e à pobreza, localizando-o sobretudo na América Latina, na África e na Ásia. Esse tipo de discurso, marcado por ideologias coloniais, colaborou para a produção de estigmas e para reforçar uma consciência de inferioridade nos países do chamado "Terceiro Mundo". O estudo acompanha as transformações das concepções de alfabetização – do humanismo universalista ao desenvolvimentismo e à noção de capital humano –, situando-as em meio a embates teóricos e políticos que atravessam o campo educacional. Ao problematizar as relações entre analfabetismo, exclusão e desenvolvimento, a obra contribui para uma leitura crítica das políticas educacionais em perspectiva internacional.